É tempo de mudança. As coisas velhas se passaram e tudo se fez novo. Para se chegar até Deus, primeiramente devemos crer em Jesus Cristo como o único e suficiente salvador. Ele é o caminho, a verdade e a vida. E para crer em Deus basta ver toda a criação extraordinária que está a sua volta.
Se há alegria em sua vida, glorifique a Deus, agora se há momentos de lutas e lágrimas, clame ao Senhor e ele derramará o Santo Espírito consolador, pois só ele tem esse poder. Então, ore, suplique e adore ao Senhor Jesus que é digno de toda honra e toda glória.
Jesus Cristo é a salvação
A palavra que transforma
sexta-feira, 11 de novembro de 2011
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
149 anos de Guaianases com um Sábado Feliz
Neste ano o bairro de Guaianases viveu um clima de festa no CEU Jambeiro que vale a pena recordar...
Para dar continuidade à comemoração dos 149 anos de Guaianases, a Diretoria Regional de Ensino em parceria com a prefeitura de São Paulo, a secretaria de Educação e associações, promoveram mais uma edição do Sábado Feliz no CEU Jambeiro de Guaianases.
Algodão-doce, pipoca à vontade, brinquedos como piscina de bolinhas, cama elástica, tobogã pirata, jacaré kid e outras atrações divertiram a garotada.
Palhaços demonstravam técnicas de ilusionismo, malabarismo e palhaçadas. Em cada olhar inocente havia um deslumbramento e ao mesmo tempo, muitas gargalhadas.
O Sábado Feliz não se limitava apenas nas crianças, pois chamou a atenção de jovens e adultos com apresentações de Dança do Ventre, Street Dance e axé. Além dos shows de Hip Hop, do Justa Causa, que agitou a platéia, o Posição do Samba, a banda Matriz, com músicas de vários estilos e épocas. E, para finalizar, o público apreciou o break da dupla BM. Foi um momento de revelações. Grandes talentos da região provaram que Guaianases é um berço da arte e da cultura.
O clima era de descontração e o tempo colaborou muito com a festa. Para as mulheres, tinha corte de cabelo, e inclusive uma equipe médica estava disponível para atender o público em geral, medindo a pressão, fazendo teste de glicose, sífilis e HIV. “É um projeto idealizado pelo setor de educação e que procura realizar um trabalho conjunto, proporcionando lazer, cultura e saúde” afirma a Diretora Regional de Ensino, Mara Gianetti.
De acordo com Mara, neste trabalho há uma integração entre o poder público, a sociedade civil e as ONGs (Organizações não Governamentais).
“Todos os funcionários, sendo ONGs e da administração pública, são voluntários. Através de alguém, consegue a felicidade de outrem”, conta a diretora, apontando a importância de um trabalho em equipe que busca o bem estar da comunidade.
Mara Gianetti explica que as crianças do bairro dificilmente têm acesso aos shoppings, e já que, estabelecer condições para viver em sociedade faz parte da educação, foi criado o programa Sábado Feliz. Desta maneira, pais e crianças, podem usufruir de seus direitos como cidadãos.
Ao ser questionada sobre a influência do lazer na educação, Mara destaca com convicção que, uma criança afetivamente feliz, tem melhor desempenho no aprendizado.
O Sábado Feliz anterior recebeu 10 mil pessoas. Agora, a Diretora acredita que esta edição vai bater o record, devido à grande popularidade do programa. Gislene Sabino do Nascimento, 28 anos, levou seus filhos de 7, 9 e sua sobrinha de 6 anos. Ela diz que é muito gratificante ter um evento como este na própria comunidade. “Vendo os meus filhos se divertindo, eu volto a ser criança”, a mãe relata emocionada.
Para Gislene, os pais de outras gerações não tinham as mesmas oportunidades que as crianças de hoje têm.
Pedro Henrique Soares, 10 anos, gostou mais do Futebol de Sabão, pois futebol é seu esporte preferido.
Em abril deste ano, teve o mesmo evento no CEU Água Azul, na Cidade Tiradentes. Em maio foi promovido no CEU Jambeiro para comemorar o aniversário de Guaianases, e em outubro, será realizado novamente para festejar o Dia das Crianças.
Para dar continuidade à comemoração dos 149 anos de Guaianases, a Diretoria Regional de Ensino em parceria com a prefeitura de São Paulo, a secretaria de Educação e associações, promoveram mais uma edição do Sábado Feliz no CEU Jambeiro de Guaianases.
Algodão-doce, pipoca à vontade, brinquedos como piscina de bolinhas, cama elástica, tobogã pirata, jacaré kid e outras atrações divertiram a garotada.
Palhaços demonstravam técnicas de ilusionismo, malabarismo e palhaçadas. Em cada olhar inocente havia um deslumbramento e ao mesmo tempo, muitas gargalhadas.
O Sábado Feliz não se limitava apenas nas crianças, pois chamou a atenção de jovens e adultos com apresentações de Dança do Ventre, Street Dance e axé. Além dos shows de Hip Hop, do Justa Causa, que agitou a platéia, o Posição do Samba, a banda Matriz, com músicas de vários estilos e épocas. E, para finalizar, o público apreciou o break da dupla BM. Foi um momento de revelações. Grandes talentos da região provaram que Guaianases é um berço da arte e da cultura.
O clima era de descontração e o tempo colaborou muito com a festa. Para as mulheres, tinha corte de cabelo, e inclusive uma equipe médica estava disponível para atender o público em geral, medindo a pressão, fazendo teste de glicose, sífilis e HIV. “É um projeto idealizado pelo setor de educação e que procura realizar um trabalho conjunto, proporcionando lazer, cultura e saúde” afirma a Diretora Regional de Ensino, Mara Gianetti.
De acordo com Mara, neste trabalho há uma integração entre o poder público, a sociedade civil e as ONGs (Organizações não Governamentais).
“Todos os funcionários, sendo ONGs e da administração pública, são voluntários. Através de alguém, consegue a felicidade de outrem”, conta a diretora, apontando a importância de um trabalho em equipe que busca o bem estar da comunidade.
Mara Gianetti explica que as crianças do bairro dificilmente têm acesso aos shoppings, e já que, estabelecer condições para viver em sociedade faz parte da educação, foi criado o programa Sábado Feliz. Desta maneira, pais e crianças, podem usufruir de seus direitos como cidadãos.
Ao ser questionada sobre a influência do lazer na educação, Mara destaca com convicção que, uma criança afetivamente feliz, tem melhor desempenho no aprendizado.
O Sábado Feliz anterior recebeu 10 mil pessoas. Agora, a Diretora acredita que esta edição vai bater o record, devido à grande popularidade do programa. Gislene Sabino do Nascimento, 28 anos, levou seus filhos de 7, 9 e sua sobrinha de 6 anos. Ela diz que é muito gratificante ter um evento como este na própria comunidade. “Vendo os meus filhos se divertindo, eu volto a ser criança”, a mãe relata emocionada.
Para Gislene, os pais de outras gerações não tinham as mesmas oportunidades que as crianças de hoje têm.
Pedro Henrique Soares, 10 anos, gostou mais do Futebol de Sabão, pois futebol é seu esporte preferido.
Em abril deste ano, teve o mesmo evento no CEU Água Azul, na Cidade Tiradentes. Em maio foi promovido no CEU Jambeiro para comemorar o aniversário de Guaianases, e em outubro, será realizado novamente para festejar o Dia das Crianças.
Cadê o nosso dinheiro?
O bairro de Guaianases possui uma bagagem histórica incrível a ser contada. Vale a pena fazer uma profunda reflexão sobre o passado para compreender o presente e ter perspectivas sobre o futuro deste bairro.
De acordo com pesquisas da Folha de Guaianases, o bairro surgiu com o povoamento indígena que durou até meados de 1820.
Em 3 de maio de 1861, por determinação do Sr. Manoel Joaquim Alves Bueno, foi inaugurada a Capela de Santa Cruz do Lajeado Velho e também uma pousada para receber alguns viajantes que cruzavam a região.
No dia 06 de novembro de 1875, o lugar onde foi construída a Capela passou a ser chamado de Lajeado Velho, e ao redor da Estação Ferroviária, de Lajeado Novo, o qual no final do século XIX ganhou outra Capela também dedicada à Santa Cruz. Mas para não ser confundida com a capela edificada anteriormente, a mesma recebe a denominação de Santa Quitéria, cuja mesma era uma escrava que foi capturada e ali cruelmente sacrificada.
Ainda no século XIX, para aproveitar a inauguração da Estrada de Ferro Norte – São Paulo, posteriormente Estrada de Ferro Central do Brasil, hoje sob controle da CPTM, (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), imigrantes italianos se instalaram na redondeza para trabalhar como comerciantes. As famílias Thadeo; Gianetti; Diório; Premiano Pistócio; Galia; Pucci; Bauto, foram instaladores de olarias, principal atividade econômica na época, que foram as responsáveis pelo fornecimento de tijolos para as construções da cidade de São Paulo, principalmente as indústrias e moradias dos bairros da Mooca, Brás, Belém, Bom Retiro, Pari e etc.
Tais famílias como, a Bueno, Pereira, Mariano, Carmo, Pedroso, Moreira, Leme, Cunha, Jordão, Xavier, Leite, eram proprietárias de grandes terras, onde cultivavam produtos agrícolas e agropecuários.
Não devemos deixar de citar também as famílias Calabrez, os Tabelini e Prandini, que tiveram presenças marcantes no setor comercial.
Em 1912 a família Matheus, imigrante espanhola, veio para bairro do Lajeado, que por meio do patriarca Luiz Matheus, funda as Pedreiras Lajeado e São Matheus, possibilitando o abastecimento na cidade de São Paulo.
Nos anos 30, a Estrada de Ferro do Norte teve o seu nome alterado, de Lajeado, cujo mesmo era o nome do bairro naquela época, para Carvalho de Araújo, em homenagem ao engenheiro responsável da estação, João Carvalho de Araújo. É importante também lembrar que, a Estação Lajeado foi aberta em outro local em 1.998, a qual mudou para Gianetti.
Por volta de 1940, o bairro possuía uma população com aproximadamente 2.967 habitantes e 806 prédios. Nesta década também já havia construída a Paróquia São Benedito em um terreno doado pelo juiz Benedito Leite d' Ávila, nascido no mesmo bairro.
Em meados de 1943 a parada Carvalho de Araújo passa a ser chamada definitivamente de
Estação de Guaianases.
No dia 30 de novembro de 1944, com o Decreto nº 14.334, o bairro é reconhecido como Distrito, com sede no povoado de Lajeado, e com parte do território da 27ª Zona distrital
(Lajeado) e parte do território da 9ª Zona distrital (São Miguel) e da 21ª Zona distrital (Itaquera) do distrito da sede do Município de São Paulo.
Com a Lei n. 252 de 24 de dezembro de 1948, o bairro recebe oficialmente o nome de
Guaianases. Nome de origem Tupi, em homenagem à tribo de Índios Guaianás, cujos mesmos foram os habitantes do território até os primeiros séculos do descobrimento do Brasil.
Durante a década de 40, a cidade começou a se desenvolver de forma significativa na área industrial. Surge uma profunda necessidade de mão de obra. Como oportunidade de inserção no mercado de trabalho, diversos migrantes do país inteiro se instalaram nas regiões periféricas para serví-los como um “dormitório”, e Guaianases foi um forte exemplo disto, marcado principalmente pela presença da população mineira.
Em 1950, havia cerca de 10.143 habitantes. Na época, o único meio de transporte do bairro era a Maria Fumaça da (EFCB), Estrada de Ferro Central do Brasil. Já em 1958, surgiram os primeiros trens elétricos, que inclusive, existem até hoje. Já nos anos 60, o bairro abrigava
45.000 habitantes.
A Lei nº 8092, de 28 de fevereiro de 1964, anexa 7,5 Km² do Distrito de Guaianases pertencente ao Município de São Paulo, ao Município de Ferraz de Vasconcelos.
Também foi criada a Lei nº 4954, de 27 de dezembro de 1985, que altera o quadro territorial e administrativa do Estado, desmembrando 6,5 Km² de Guaianases para a criação do Distrito de São Mateus.
Em setembro de 1987, Jorge Teixeira da Costa funda a Folha de Guaianases, inspirado
em seu pai, o Sr. Jesus Teixeira da Costa, cujo mesmo também foi um Jornalista que atuou
como repórter em diversos veículos de comunicação. A tiragem inicial da Folha foi de 50 mil
exemplares, que já contava com 80 anúncios.
Mesmo com um considerável desenvolvimento e um setor comercial muito forte localizado
na região, Guaianases ainda carece de mais investimentos.
Mediante a este breve histórico do nosso bairro, notamos que Guaianases venceu muitas batalhas, porém hoje estamos diante de novos desafios.
Atualmente, o distrito abriga um número de habitantes que seria o suficiente para construir uma cidade. A exemplo disto, posso citar o Município de Suzano, cuja mesma possui cerca de 300.000 habitantes e é uma cidade rica tanto na agricultura, quanto na indústria. No entanto, Guaianases tem cerca de 400.000, e é ainda um bairro totalmente marginalizado.
Como se explica tamanha desigualdade? Por qual razão que um dos maiores bairros de São Paulo é tão esquecido nos planejamentos da cidade? Por que Guaianases é lembrado como um bairro pobre e violento? Por que mesmo com um número crescente de habitantes, o bairro ainda é considerado um dormitório? Por que tantos analfabetos? Por que tanta mão de obra barata? Por que tanta criminalidade? Por que tantas enchentes? Por que tanto desemprego? Por que pouca infra estrutura? Por que tantos moradores de rua? Por que tanta exclusão?
São tantos os por ques, que devem ser debatidos constantemente por todos nós e refletir até mesmo nesta época de eleições que é um momento decisivo para o nosso futuro.
terça-feira, 9 de dezembro de 2008
A Ciência em Campo Minado
A ditadura militar não poupou nenhum campo da sociedade civil brasileira. Se já não bastasse impedir o livre pensamento político e a manifestação cultural, o duro regime impediu o progresso científico brasileiro, por meio de demissões, aposentadorias e o impedimento de cientistas renomados de exercerem seu trabalho.
O regime militar foi um período marcante na história do país, por toda obscuridade que o cercou, pela repressão e pelo desrespeito aos direitos humanos promovido por aqueles que estiveram a frente do governo da época. O General Camilo Castello Branco, a partir de abril de 1964, que havia prometido uma política democrática, assumiu uma postura totalmente autoritária para impor pela violência o novo projeto de Brasil da burguesia industrial e financeira conservadora aliada à burguesia internacional.
Casos de repressão e tortura foram freqüentes durante a ditadura. A população brasileira sofreu com uma política que não garantia nenhum direito de cidadania.O período ditatorial afetou vários setores da sociedade, como o campo político, o cultural, o educacional e, inclusive, o campo científico, que exemplifica bem o que a ditadura foi capaz de fazer. O objetivo era reprimir um projeto de Brasil voltado para o desenvolvimento do país livre e soberano.
Como é o caso de alguns professores da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo(FMUSP), que durante o regime foram presos, demitidos ou aposentados compulsoriamente, impedidos de exercerem suas funções por suspeitas de envolvimento com movimentos que se contrapunham ao governo militar.O professor e médico formado em Embriologia e Histologia, doutor Michel Rabinovitch, foi um dos cientistas brasileiros que sofreu com a repressão do regime militar. Ele foi investigado por uma comissão da FMUSP, acusado de ser comunista e de orientar alunos para subversão. Por conta disso, Rabinovitch decidiu sair do país e passou a morar nos Estados Unidos.
Para o doutor, passar por esse processo foi “obviamente desgostoso para não utilizar palavras mais forte”. “O assassinato de Vladimir Herzog e outros me perturbaram bastante”, relata. O professor conta que juntamente com alguns compatriotas nos Estados Unidos, ele tentou denunciar os crimes cometidos na ditadura, porém sem sucesso.
Rabinovitch voltou ao Brasil somente em 1980, com a anistia. Ele conta que recuperou seu cargo por uma hora e foi aposentado pela USP. O professor dirige, atualmente, um laboratório na Escola Paulista de Medicina (EPM), departamento de Micro, Imuno e Parasitologia.
O caso do doutor e professor Erney Plessmann de Camargo, especialista em Parasitologia, também não foi muito diferente. O médico foi demitido de seu cargo e, em seguida, se mudou para os Estados Unidos, onde trabalhou como docente na Universidade de Wisconsin. “O interessante é que o Departamento de Estado americano não fez nenhuma objeção à imigração de um subversivo”, comenta. As pesquisas do ciêntistas estrangeiros favoreciam o desenvolvimento dos EUA no campo ciêntifico, por este motivo eles eram tão bem acolhidos.
Antes da demissão, Camargo e seus colegas se associaram a organizações de intelectuais progressistas dos mais variados tipos sem qualquer vinculação partidária. “Alguns, eu inclusive, estavam próximos do Partido Comunista, mas apenas um ou outro era filiado ao Partido. Tornamo-nos contra o regime militar depois que ele foi instalado, mas até então éramos puramente legalistas e continuamos assim”, relata.Submetido a um processo junto a Justiça Militar por atividades subversivas, Camargo foi absolvido, mas dois de seus companheiros foram condenados pela Justiça Militar, presos no Navio Raul Soares, e depois libertados.Doutor Erney Plessmann de Camargo voltou ao Brasil a convite da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto. Porém, ao chegar no país, não tomou posse como docente por causa do Ato Institucional nº5. Ele trabalhou como assessor na Editora Abril, que acolheu muitos intelectuais perseguidos, e trabalhou também em um Laboratório de Análises e na Escola Paulista de Medicina, como professor de Parasitologia.
Em 1985, Camargo resolveu prestar concurso para professor titular na USP, onde foi aprovado e ficou até se aposentar, em 2005. Atualmente, ele é professor Emérito do Instituto de Ciências Biomédicas e também da Faculdade de Medicina, de onde foi demitido em 1964. O médico se dedicou desde o início de sua carreira ao estudo do Trypanosoma cruzi e, até hoje, suas obras literárias são referência obrigatória sobre a doença de Chagas.
Para o doutor Erney Plessmann de Camargo, foi positivo ter participado desta mudança de comportamento. “Confesso que foi um momento histórico de muita curiosidade e questionamento cultural. Foi interessante observar a transformação cotidiana e súbita de um país tradicionalmente conservador”, opina.
A ciência foi vítima do regime militar, tanto quanto a cultura, a educação e a participação política, pois era um dos instrumentos de conquista da soberania brasileira. Ser culto, instruído, produtor de sua própria ciência e tecnologia é o mesmo que ser livre. A ditadura rompeu o projeto do Brasil livre e soberano sonhado nos anos 1950 e 1960 para impor pela violência o projeto de dominação imperialista.
Hoje, as pesquisas realizadas por cientistas brasileiros trazem uma esperança de um país que caminhe com as suas próprias pernas, se desenvolva em prol de toda a sociedade. A ciência a favor da humanidade.
Ana Paula Gomes
Michelle Amaral
Silvia Gonçalves
O regime militar foi um período marcante na história do país, por toda obscuridade que o cercou, pela repressão e pelo desrespeito aos direitos humanos promovido por aqueles que estiveram a frente do governo da época. O General Camilo Castello Branco, a partir de abril de 1964, que havia prometido uma política democrática, assumiu uma postura totalmente autoritária para impor pela violência o novo projeto de Brasil da burguesia industrial e financeira conservadora aliada à burguesia internacional.
Casos de repressão e tortura foram freqüentes durante a ditadura. A população brasileira sofreu com uma política que não garantia nenhum direito de cidadania.O período ditatorial afetou vários setores da sociedade, como o campo político, o cultural, o educacional e, inclusive, o campo científico, que exemplifica bem o que a ditadura foi capaz de fazer. O objetivo era reprimir um projeto de Brasil voltado para o desenvolvimento do país livre e soberano.
Como é o caso de alguns professores da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo(FMUSP), que durante o regime foram presos, demitidos ou aposentados compulsoriamente, impedidos de exercerem suas funções por suspeitas de envolvimento com movimentos que se contrapunham ao governo militar.O professor e médico formado em Embriologia e Histologia, doutor Michel Rabinovitch, foi um dos cientistas brasileiros que sofreu com a repressão do regime militar. Ele foi investigado por uma comissão da FMUSP, acusado de ser comunista e de orientar alunos para subversão. Por conta disso, Rabinovitch decidiu sair do país e passou a morar nos Estados Unidos.
Para o doutor, passar por esse processo foi “obviamente desgostoso para não utilizar palavras mais forte”. “O assassinato de Vladimir Herzog e outros me perturbaram bastante”, relata. O professor conta que juntamente com alguns compatriotas nos Estados Unidos, ele tentou denunciar os crimes cometidos na ditadura, porém sem sucesso.
Rabinovitch voltou ao Brasil somente em 1980, com a anistia. Ele conta que recuperou seu cargo por uma hora e foi aposentado pela USP. O professor dirige, atualmente, um laboratório na Escola Paulista de Medicina (EPM), departamento de Micro, Imuno e Parasitologia.
O caso do doutor e professor Erney Plessmann de Camargo, especialista em Parasitologia, também não foi muito diferente. O médico foi demitido de seu cargo e, em seguida, se mudou para os Estados Unidos, onde trabalhou como docente na Universidade de Wisconsin. “O interessante é que o Departamento de Estado americano não fez nenhuma objeção à imigração de um subversivo”, comenta. As pesquisas do ciêntistas estrangeiros favoreciam o desenvolvimento dos EUA no campo ciêntifico, por este motivo eles eram tão bem acolhidos.
Antes da demissão, Camargo e seus colegas se associaram a organizações de intelectuais progressistas dos mais variados tipos sem qualquer vinculação partidária. “Alguns, eu inclusive, estavam próximos do Partido Comunista, mas apenas um ou outro era filiado ao Partido. Tornamo-nos contra o regime militar depois que ele foi instalado, mas até então éramos puramente legalistas e continuamos assim”, relata.Submetido a um processo junto a Justiça Militar por atividades subversivas, Camargo foi absolvido, mas dois de seus companheiros foram condenados pela Justiça Militar, presos no Navio Raul Soares, e depois libertados.Doutor Erney Plessmann de Camargo voltou ao Brasil a convite da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto. Porém, ao chegar no país, não tomou posse como docente por causa do Ato Institucional nº5. Ele trabalhou como assessor na Editora Abril, que acolheu muitos intelectuais perseguidos, e trabalhou também em um Laboratório de Análises e na Escola Paulista de Medicina, como professor de Parasitologia.
Em 1985, Camargo resolveu prestar concurso para professor titular na USP, onde foi aprovado e ficou até se aposentar, em 2005. Atualmente, ele é professor Emérito do Instituto de Ciências Biomédicas e também da Faculdade de Medicina, de onde foi demitido em 1964. O médico se dedicou desde o início de sua carreira ao estudo do Trypanosoma cruzi e, até hoje, suas obras literárias são referência obrigatória sobre a doença de Chagas.
Para o doutor Erney Plessmann de Camargo, foi positivo ter participado desta mudança de comportamento. “Confesso que foi um momento histórico de muita curiosidade e questionamento cultural. Foi interessante observar a transformação cotidiana e súbita de um país tradicionalmente conservador”, opina.
A ciência foi vítima do regime militar, tanto quanto a cultura, a educação e a participação política, pois era um dos instrumentos de conquista da soberania brasileira. Ser culto, instruído, produtor de sua própria ciência e tecnologia é o mesmo que ser livre. A ditadura rompeu o projeto do Brasil livre e soberano sonhado nos anos 1950 e 1960 para impor pela violência o projeto de dominação imperialista.
Hoje, as pesquisas realizadas por cientistas brasileiros trazem uma esperança de um país que caminhe com as suas próprias pernas, se desenvolva em prol de toda a sociedade. A ciência a favor da humanidade.
Ana Paula Gomes
Michelle Amaral
Silvia Gonçalves
quinta-feira, 4 de dezembro de 2008
“A tortura no país deixou de existir para os presos políticos, mas para os presos comuns, ela continua”, declara Lúcio França.
No dia 27 de outubro de 2008 foi realizada a entrega do 30º Prêmio jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos, no espaço Tuca, na PUC de São Paulo.
Para o representante da Comissão dos Direitos Humanos, Lúcio França, umas das principais conquistas nos 60 anos da Declaração dos Direitos Humanos, foi a carta da ONU (Organização das Nações Unidas) e os Tratados Internacionais, que foram contra a tortura e a discriminação. “O Vladimir Herzog morreu por defender aquilo que a gente está defendendo hoje”, declara Lúcio França.
Lúcio faz lembrar que os direitos humanos não defendem a impunidade e sim, a integridade física “O acusado tem que cumprir uma pena com dignidade. Não pode ser espancado e nem torturado, porque a tortura no país deixou de existir para os presos políticos, mas presos comuns, ela continua”.
O mesmo diz que o Brasil ainda sofre com muita injustiça social, discriminação de gêneros. Afirma que as organizações não governamentais poderiam se unir mais e também, é preciso investir mais no direito à educação e à vida “Quando você vê uma pessoa que não tem onde morar, ou plantar. A terra está desabitada há anos e ela é expulsa, é uma luta. É o poder dos latifundiários sobre os oprimidos”.
De acordo com o representante, todos deveriam ter o acesso a uma universidade pública e ter boas condições de moradia.
Lúcio França finaliza seu depoimento, explicando como era vista no passado a questão dos direitos do Homem:
“Antigamente os direitos humanos era considerado uma ameaça à segurança nacional e eram presos, torturados e mortos. Hoje há outra visão sobre isso. A luta é constante, não morre aqui”.
Para o representante da Comissão dos Direitos Humanos, Lúcio França, umas das principais conquistas nos 60 anos da Declaração dos Direitos Humanos, foi a carta da ONU (Organização das Nações Unidas) e os Tratados Internacionais, que foram contra a tortura e a discriminação. “O Vladimir Herzog morreu por defender aquilo que a gente está defendendo hoje”, declara Lúcio França.
Lúcio faz lembrar que os direitos humanos não defendem a impunidade e sim, a integridade física “O acusado tem que cumprir uma pena com dignidade. Não pode ser espancado e nem torturado, porque a tortura no país deixou de existir para os presos políticos, mas presos comuns, ela continua”.
O mesmo diz que o Brasil ainda sofre com muita injustiça social, discriminação de gêneros. Afirma que as organizações não governamentais poderiam se unir mais e também, é preciso investir mais no direito à educação e à vida “Quando você vê uma pessoa que não tem onde morar, ou plantar. A terra está desabitada há anos e ela é expulsa, é uma luta. É o poder dos latifundiários sobre os oprimidos”.
De acordo com o representante, todos deveriam ter o acesso a uma universidade pública e ter boas condições de moradia.
Lúcio França finaliza seu depoimento, explicando como era vista no passado a questão dos direitos do Homem:
“Antigamente os direitos humanos era considerado uma ameaça à segurança nacional e eram presos, torturados e mortos. Hoje há outra visão sobre isso. A luta é constante, não morre aqui”.
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