segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Cadê o nosso dinheiro?

O bairro de Guaianases possui uma bagagem histórica incrível a ser contada. Vale a pena fazer uma profunda reflexão sobre o passado para compreender o presente e ter perspectivas sobre o futuro deste bairro.
De acordo com pesquisas da Folha de Guaianases, o bairro surgiu com o povoamento indígena que durou até meados de 1820.
Em 3 de maio de 1861, por determinação do Sr. Manoel Joaquim Alves Bueno, foi inaugurada a Capela de Santa Cruz do Lajeado Velho e também uma pousada para receber alguns viajantes que cruzavam a região.
No dia 06 de novembro de 1875, o lugar onde foi construída a Capela passou a ser chamado de Lajeado Velho, e ao redor da Estação Ferroviária, de Lajeado Novo, o qual no final do século XIX ganhou outra Capela também dedicada à Santa Cruz. Mas para não ser confundida com a capela edificada anteriormente, a mesma recebe a denominação de Santa Quitéria, cuja mesma era uma escrava que foi capturada e ali cruelmente sacrificada.
Ainda no século XIX, para aproveitar a inauguração da Estrada de Ferro Norte – São Paulo, posteriormente Estrada de Ferro Central do Brasil, hoje sob controle da CPTM, (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), imigrantes italianos se instalaram na redondeza para trabalhar como comerciantes. As famílias Thadeo; Gianetti; Diório; Premiano Pistócio; Galia; Pucci; Bauto, foram instaladores de olarias, principal atividade econômica na época, que foram as responsáveis pelo fornecimento de tijolos para as construções da cidade de São Paulo, principalmente as indústrias e moradias dos bairros da Mooca, Brás, Belém, Bom Retiro, Pari e etc.
Tais famílias como, a Bueno, Pereira, Mariano, Carmo, Pedroso, Moreira, Leme, Cunha, Jordão, Xavier, Leite, eram proprietárias de grandes terras, onde cultivavam produtos agrícolas e agropecuários.
Não devemos deixar de citar também as famílias Calabrez, os Tabelini e Prandini, que tiveram presenças marcantes no setor comercial.
Em 1912 a família Matheus, imigrante espanhola, veio para bairro do Lajeado, que por meio do patriarca Luiz Matheus, funda as Pedreiras Lajeado e São Matheus, possibilitando o abastecimento na cidade de São Paulo.
Nos anos 30, a Estrada de Ferro do Norte teve o seu nome alterado, de Lajeado, cujo mesmo era o nome do bairro naquela época, para Carvalho de Araújo, em homenagem ao engenheiro responsável da estação, João Carvalho de Araújo. É importante também lembrar que, a Estação Lajeado foi aberta em outro local em 1.998, a qual mudou para Gianetti.
Por volta de 1940, o bairro possuía uma população com aproximadamente 2.967 habitantes e 806 prédios. Nesta década também já havia construída a Paróquia São Benedito em um terreno doado pelo juiz Benedito Leite d' Ávila, nascido no mesmo bairro.
Em meados de 1943 a parada Carvalho de Araújo passa a ser chamada definitivamente de
Estação de Guaianases.
No dia 30 de novembro de 1944, com o Decreto nº 14.334, o bairro é reconhecido como Distrito, com sede no povoado de Lajeado, e com parte do território da 27ª Zona distrital
(Lajeado) e parte do território da 9ª Zona distrital (São Miguel) e da 21ª Zona distrital (Itaquera) do distrito da sede do Município de São Paulo.
Com a Lei n. 252 de 24 de dezembro de 1948, o bairro recebe oficialmente o nome de
Guaianases. Nome de origem Tupi, em homenagem à tribo de Índios Guaianás, cujos mesmos foram os habitantes do território até os primeiros séculos do descobrimento do Brasil.
Durante a década de 40, a cidade começou a se desenvolver de forma significativa na área industrial. Surge uma profunda necessidade de mão de obra. Como oportunidade de inserção no mercado de trabalho, diversos migrantes do país inteiro se instalaram nas regiões periféricas para serví-los como um “dormitório”, e Guaianases foi um forte exemplo disto, marcado principalmente pela presença da população mineira.
Em 1950, havia cerca de 10.143 habitantes. Na época, o único meio de transporte do bairro era a Maria Fumaça da (EFCB), Estrada de Ferro Central do Brasil. Já em 1958, surgiram os primeiros trens elétricos, que inclusive, existem até hoje. Já nos anos 60, o bairro abrigava
45.000 habitantes.
A Lei nº 8092, de 28 de fevereiro de 1964, anexa 7,5 Km² do Distrito de Guaianases pertencente ao Município de São Paulo, ao Município de Ferraz de Vasconcelos.
Também foi criada a Lei nº 4954, de 27 de dezembro de 1985, que altera o quadro territorial e administrativa do Estado, desmembrando 6,5 Km² de Guaianases para a criação do Distrito de São Mateus.
Em setembro de 1987, Jorge Teixeira da Costa funda a Folha de Guaianases, inspirado
em seu pai, o Sr. Jesus Teixeira da Costa, cujo mesmo também foi um Jornalista que atuou
como repórter em diversos veículos de comunicação. A tiragem inicial da Folha foi de 50 mil
exemplares, que já contava com 80 anúncios.
Mesmo com um considerável desenvolvimento e um setor comercial muito forte localizado
na região, Guaianases ainda carece de mais investimentos.
Mediante a este breve histórico do nosso bairro, notamos que Guaianases venceu muitas batalhas, porém hoje estamos diante de novos desafios.
Atualmente, o distrito abriga um número de habitantes que seria o suficiente para construir uma cidade. A exemplo disto, posso citar o Município de Suzano, cuja mesma possui cerca de 300.000 habitantes e é uma cidade rica tanto na agricultura, quanto na indústria. No entanto, Guaianases tem cerca de 400.000, e é ainda um bairro totalmente marginalizado.
Como se explica tamanha desigualdade? Por qual razão que um dos maiores bairros de São Paulo é tão esquecido nos planejamentos da cidade? Por que Guaianases é lembrado como um bairro pobre e violento? Por que mesmo com um número crescente de habitantes, o bairro ainda é considerado um dormitório? Por que tantos analfabetos? Por que tanta mão de obra barata? Por que tanta criminalidade? Por que tantas enchentes? Por que tanto desemprego? Por que pouca infra estrutura? Por que tantos moradores de rua? Por que tanta exclusão?
São tantos os por ques, que devem ser debatidos constantemente por todos nós e refletir até mesmo nesta época de eleições que é um momento decisivo para o nosso futuro.

Nenhum comentário: